TROCA (2016 – 2017)
Troca nasce de uma construção coletiva, tecida a partir das conversas e convivência em um grupo de bordadeiras. O trabalho propõe a ressignificação de referentes visuais através de fotografias de texturas, bordado e palavra.
As texturas foram escolhidas por sua natureza orgânica e porque, a meu ver, são recipientes neutros de memórias que possibilitam reconstruções. As imagens foram estruturadas seguindo uma padronagem sugerida pelas próprias texturas, ganhando novas possibilidades de interpretação. No entanto, percebi que tinha apenas fragmentos de possibilidades e senti a necessidade de incorporar o bordado.
Eu não sabia bordar e foi preciso aprender. Passei a integrar um grupo de mulheres bordadeiras; bordávamos próximas umas das outras e, enquanto trabalhávamos, dividíamos experiências, conhecimentos e vivências.
A imersão no grupo, enquanto aprendiz e observadora, permitiu-me atribuir outros significados para as imagens reconstruídas, que se manifestam nos bordados e nas palavras presentes nas fotografias. As palavras são apenas possibilidades de interpretação, uma vez que as imagens são abstratas e permitem que o observador construa suas próprias associações.
Ao entrelaçar a fotografia totalmente ressignificada e o bordado, o trabalho alinhava caminhos e propõe novos pontos, convidando o observador a olhar o avesso, desmanchar tudo e imaginar outros arremates para as imagens e palavras.
Troca é composta por 11 fotografias em preto e branco, impressas em papel japonês e bordadas à mão, concebidas (à exceção de uma) para serem apresentadas frente e verso.
Dimensões de 25 cm x 25 cm, com margens de 3 cm e 9 cm, exceto por uma fotografia que possui margens de 3 cm e 6 cm.
Técnica: fotografia digital e bordado.
equilíbrio. resistência. feminino. aceitação. persistência. terapêutico. troca. desacelerar. feito à mão. liberdade. liberdade dois.